domingo, maio 26, 2013

Música: Por que move as pessoas

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LUZES coloridas, tochas ardentes dissipam as trevas da noite, à medida que o carro que traz de volta o vitorioso general egípcio entra velozmente no anfiteatro romano. Sua empolgante entrada foi o clímax duma longa parada de soldados trajados de belas vestes, resplandecendo de triunfo, e um magnífico bailado em que lépidos dançarinos entusiasticamente rodopiam para o deleite da assistência silenciosa e reverente. O ar noturno se encheu de grandiosas harmonias orquestrais, ricos cantos corais e o clangor de jubilantes trombetas. Que música triunfante! A assistência ficou empolgada ao ver tudo isso, e os sons estimulantes que lhe enchiam os ouvidos a deixavam emocionada.
Subitamente, a cena muda para uma assistência de jovens, a maioria sendo garotas adolescentes, ajuntadas aos milhares, gritando incontrolavelmente. Algumas tremem violentamente, outras soluçam, várias desmaiam, e a maioria ficam histéricas. Quatro rapazes de cabelos compridos na tribuna captam a atenção de todos, e dominando a balbúrdia sonora se acha a batida rítmica das guitarras elétricas e dos tambores.
Essa primeira ocasião descrita acima era um espetáculo majestoso ao ar livre da ópera Aida, de Giuseppe Verdi, em Verona, Itália. A segunda, um espetáculo dos Beatles no Estádio Shea, na cidade de Nova Iorque. Ambos demonstram, a seu próprio modo, a tremenda força emotiva da música. Não resta dúvida de que a música exerce poderosa influência sobre as pessoas, suscitando fortes emoções, quer abjetas quer nobres. Sim, tais milhares de bolinhas que surgem através das páginas musicais, quando traduzidas em sons, geram uma força que há muito tem sido reconhecida pelo o homem.

Antigas Imagens Mentais

Os escritores dos tempos antigos entretinham a idéia supersticiosa de que a música podia enfeitiçar uma pessoa. Muitas de suas lendas refletem esta crença. Por exemplo, diz-se que Orfeu tocava tão maravilhosamente que conseguia encantar animais, aves e árvores, e que até mesmo os rios vinham escutar suas melodias. Supunha-se ser ele filho de Calíope, uma das nove Musas, deusas que os gregos consideravam presidir as artes liberais, e das quais obtivemos a palavra “música”. Quando morreu a amada esposa de Orfeu, Eurídice, ele foi à procura dela, segundo a lenda, no mundo dos mortos, e ali tocou de forma tão bela que o deus do submundo a deixou ir.
Há outros exemplos desta superstição na fábula grega. Por exemplo, o rei ciumento e violento do mar, Tritão, era mencionado como acalmando as ondas ou lançando-as em fúria tempestuosa simplesmente por tocar sua trombeta mágica, uma concha retorcida. As Sereias eram reputadamente virgens do mar cujo canto era tão cativante que os marinheiros passantes eram atraídos para a morte nas rochas, ao se sentirem irresistivelmente atraídos pelo poder da música. Certo dia, contudo, diz-se, Orfeu navegou por perto, tocando seu alaúde, e as Sereias ficaram tão aborrecidas de ficarem para trás que se afogaram.
Por causa de seu grande impacto emocional, a falsa religião, na maior parte, tem feito destacar o papel da música em seus ofícios de adoração, ao passo que abate o papel da mente. Corais gregos eram parte integral das antigas cerimônias religiosas gregas, assim como as danças rituais africanas são vitais na adoração pagã dos africanos. O apito de pedra e certos tambores são tidos por sagrados em partes da África. Quando usado em ritos, supõe-se que o tambor é habitado por espíritos da selva ou pelo deus-elefante.

História da Música

Não há dúvida de que a música e grandiosos temas eram familiares aos anjos de Deus muito antes de começar a história humana. É de interesse observar, contudo, que os primeiros instrumentos musicais foram fabricados para os humanos por Jubal, descendente de Caim. (Gên. 4:21) A necessidade de música para aplacar o espírito e ajudar os homens iníquos a olvidar os males foi sublinhada pela requisição feita por Saul dos serviços de Davi como harpista. — 1 Sam. 16:14-23.
Os arqueólogos trouxeram à luz baixos-relevos egípcios e decorações murais assírias que representam compositores musicais de tempos bem primitivos. A música vocal e instrumental era ouvida continuamente nos palácios de Roma, e diz-se que seus instrumentos caros incluíam flautas, enormes liras e órgãos hidráulicos. Através dos séculos, a música sofreu muitas mudanças, para melhor e para pior. Embora alguns gostem de pensar que esta era moderna progrediu imensamente desde os batuques rítmicos da África, só se precisa ouvir algumas das composições atualmente consideradas populares para se ser transportado na imaginação de volta para a vida primitiva da selva.

Expressão Espontânea da Música

Apesar do emprego errado desta arte por parte de alguns, hoje, a música tem um lugar legítimo nas vidas dos homens. Pense só na espontânea manifestação de alegria quando Moisés e seu rebanho humano cantaram sobre a sua libertação do Faraó do Egito. Daí, houve o cântico de Débora e Baraque, marcando sua gratidão a Jeová pelo triunfo sobre seus inimigos. Lembre-se, também, do tocante cântico do Rei Davi — seu lamento pela morte de Saul e de seu amigo Jônatas. As Escrituras reputam Davi como sendo “homem perito em tocar a harpa”. — 1 Sam. 16:16, 18; Êxo. 15:121; Juí. 5:1-31; 2 Sam. 1:17-27.
Quer possamos tocar ou não algum instrumento musical, a maioria de nós aprecia a música — obtém verdadeira satisfação das várias expressões musicais. Não raro a música pode destacar a expressão oral. E há tão grande variedade! Há música que nos estimula à ação, música que suaviza e induz ao sono, música para descontração, música para dança. E estórias com fundo musical certamente causam profunda impressão nos ouvintes. Alguns cantam por se sentirem felizes, alguns porque estão tristes, e alguns porque o som da água correndo na banheira ou do chuveiro toca em sua sensibilidade musical.

O Que É Música?

Uma coisa é cantar ou cantarolar uma modinha familiar sem conhecer nada de música escrita. Outra bem diferente é ler e escrever música, de modo que a melodia possa ser reproduzida com exatidão. A escala tonal melhor conhecida no mundo ocidental é chamada de escala diatônica. Divide-se em oito notas que ascendem ou descendem em certa ordem. Começando com “dó” — há dois graus inteiros, daí, meio grau, três graus inteiros, daí, meio grau: dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó. Tais notas podem ser elevadas um semitom, isto é, elevadas meio grau (sustenidos) ou abaixadas meio grau (bemóis).
Por se dispor estas notas de certo modo e aumentar ou diminuir a duração de certas notas para adaptar-se a determinada batida ou ritmo, podemos produzir estimulantes acordes ou uma melodia assustadora. A alteração da altura do som é que faz a melodia, visto que qualquer pessoa pode dizer se ouviu alguém soar uma nota errada.
Os orientais às vezes dividem a escala em vinte e quatro intervalos ou quarto de tom. E a maioria da música folclórica antiga tem uma escala de cinco notas, como o faz a antiga música chinesa e escocesa.
As melodias são registradas na música escrita por meio de bolinhas ovais com curtas linhas verticais ligadas a elas. Por se colocar tais bolinhas ou notas em várias posições numa pauta de cinco linhas horizontais, indica-se a posição de cada nota na escala. Por se usar diferentes tipos de notas se indica por quanto tempo devem ser mantidas.

Instrumentos Determinam o Colorido

Tocar uma melodia em vários instrumentos fornecerá à pessoa uma variedade de coloridos ou timbres. Se resolvermos tocar uma melodia alegre numa flauta, o som será doce e avícola. No fagote, soará grave e jovial e, sem dúvida, nos divertirá! No violão, o seu som talvez mova a pessoa a querer dançar. Sim, esta linha melódica de bolinhas pode mudar de colorido conforme o instrumento usado para tocá-la.
Os vários instrumentos são divididos em quatro classes principais: cordas, de sopro de madeira, de metal e de percussão. Nos instrumentos de corda, o som é produzido pela vibração das cordas provocada por um arco ou por se tangê-las. Na maioria dos instrumentos de sopro de madeira o som é produzido por se soprar numa câmara sonora oca com a ajuda de palhetas localizadas no bocal. Nos instrumentos de metal, os lábios são todo-importantes para a produção de música. Os instrumentos de percussão, inclusive o piano, o triângulo, os címbalos e todos os tipos de tambores, são aqueles em que a batida ou toque está envolvido. Naturalmente, cada classe de instrumentos abrange grande variedade deles.
Alguns dos incomuns são as trombetas feitas de conchas do mar, os tambores falantes de madeira da África, a harpa bifurcada com uma cabaça ligada para servir qual câmara de som, e o balafon, um xilofone de estilo africano com filas de pequenas cabaças de vários tamanhos por baixo para dar os tons.
Um dos mais excelentes de todos os instrumentos, contudo, é a voz humana. Embora não possua talvez o âmbito de vários outros instrumentos, é capaz, com treinamento, de atingir muito maiores profundezas de emoção e tons de sentimento. E seu tema mais digno é o entoar os louvores Daquele que criou o homem e sua maravilhosa voz, o Deus a quem só pertence o nome de Jeová.
Na verdade, a música é uma dádiva maravilhosa, e, como as demais dádivas, quando usadas apropriadamente, abençoa tanto o dador como o recebedor. Quando usada em conjunção com a língua em expressar o que é bom, verdadeiro, alegre e edificante para a mente, então reflete algo da glória e majestade do único Deus verdadeiro, que é digno de toda expressão musical de louvor.

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