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A economia próspera da Venezuela

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A economia próspera da Venezuela

Do correspondente de “Despertai!” na Venezuela

Publicado em Despertai! de 08 de agosto de 1970

O QUADRO econômico da Venezuela oferece refrescante contraste com o de outros países em que a moeda talvez esteja em crise, declinando continuamente de valor, ou até mesmo à beira de colapso. Imagine só viver num país em que o custo de vida só aumentou um por cento no ano retrasado!
Quando se pensa na Venezuela e em sua economia, a palavra ‘“petróleo” logo vem à mente. Mas, a Venezuela se está empenhando arduamente para ampliar sua base econômica e para explorar sua abundância de outros recursos naturais. Não será para sempre que os poços de petróleo que jazem sobre o Lago Maracaibo e sob a grama ondulante de sua pradaria oriental continuarão a trazer prosperidade ao país. Os planejadores governamentais procuram meios de diversificar as fontes de renda. Mas, com que êxito?

Petróleo — o Produto Básico

Diferente da situação de outros países da América do Sul e Central, o governo é dono dos recursos minerais. Assim, a renda do petróleo se espalha por toda a economia, beneficiando a maioria, antes que alguns privilegiados. A renda per capita das dez milhões de pessoas da Venezuela varia de cerca de NCr$ 2.980,00 a mais de NCr$ 3.600,00, dando aos venezuelanos mais dinheiro para gastar do que seus vizinhos latino-americanos. E o bolívar venezuelano é a mais forte moeda de toda a América do Sul.
Como o maior exportador de petróleo do mundo, a Venezuela produz a média diária de 3.600.000 barris. Dos lucros resultantes, a nação recebe dois terços, cerca de NCr$ 14 milhões por dia. No ínterim, também, os motoristas venezuelanos gozam o mais baixo preço de gasolina do mundo — apenas cerca de NCr$ 0,13 o litro.
Todas as atividades usuais da indústria de petróleo, a produção, a refinação, a exportação e o consumo interno, sofreram considerável aumento — tudo, isto é, menos a exploração nova. A diretriz petrolífera governamental continua a sublinhar a eficiência operacional e o uso produtivo dos recursos petrolíferos, antes que procurar maior produção deste item que não se renova. Os métodos mais recentes de recuperação secundária do petróleo estão sendo aplicados. Com efeito, por volta de 1966, mais de cinqüenta refinarias de reinjeção de gás estavam em operação — uma delas sendo a maior do mundo.
Calcula-se que, na taxa atual de produção, as reservas petrolíferas deveriam durar treze anos. Por conseguinte, de forma prudente, os economistas do país têm usado os recursos petrolíferos para construir o arcabouço para maior industrialização, bem como para a consecução das necessárias reformas sociais. Além da diminuição dos recursos petrolíferos, a mudança para alguma outra fonte de energia diferente do petróleo poderia produzir sérios efeitos sobre a economia.

Base Para o Crescimento

A fim de se lançar a base para o seu futuro crescimento industrial, a Venezuela tem, nos últimos dez anos, investido 6.000.000.000 de bolívares em estradas, pontes e projetos hidrelétricos. O país possui agora um dos melhores sistemas rodoviários de toda a América Latina — 17.600 quilômetros pavimentados. Superestradas cercam e atravessam Caracas, a capital, e partem em direção às cidades mais importantes.
A mais longa ponte de concreto protendido do mundo atravessa o Lago Maracaibo, que, diga-se de passagem, é o maior lago da América do Sul. Esta ponte liga Maracaibo, a segunda maior cidade, com o resto do país. Antes de 1962, tudo tinha de ser transportado em barcas através do lago ou por 320 quilômetros em redor, por sua margem meridional. Agora, rica área agrícola foi aberta, com acesso direto à Rodovia Pan-Americana.
No outro extremo do país, ao invés de ter de esperar numa fila comprida, quente e frustradora para a pequena barca, os choferes de caminhões podem agora rodar pela nova ponte bonita que atravessa o poderoso Orinoco, perto de Ciudad Bolívar, e guiar sem demora.
Prioridade especial tem sido dada à eletrificação do país, visto que o desenvolvimento econômico desejável exigia a duplicação da capacidade geradora a cada cinco anos. Durante os últimos dez anos, a energia elétrica disponível triplicou, e 1.500 cidades, povoados e vilas foram iluminados da forma moderna. Grandes usinas no poderoso Rio Caroní geram centenas de milhares de quilowatts. Com efeito, o potencial hidrelétrico é quase inesgotável. Em apenas alguns países africanos existe potencial superior, passível de exploração a menor custo.

Outros Ricos Recursos

Além de poços de “ouro negro” que formam a base da Venezuela, esta terra pode também jactar-se de diversas montanhas de ferro. Suas reservas de minério de ferro de alto teor, 50 por cento puro, têm sido calculadas em 1.800.000.000 toneladas métricas. Situada em nono lugar entre os produtores de ferro do mundo, a Venezuela pode citar este minério como a sua segunda maior exportação. A competição internacional moveu os venezuelanos a construir uma usina que produzirá anualmente um milhão de toneladas de briquetes de minério enriquecido, de qualidade suficientemente alta para satisfazer as exigências internacionais das usinas metalúrgicas.
Depósitos de bauxita, ouro, níquel e manganês também se encontram na região que rapidamente se torna o orgulho da Venezuela — essa grande faixa de terra que está ao sul do Orinoco. É ali que se fazem os esforços mais intensivos de se construir um centro de indústria pesada. Uma usina siderúrgica e uma fábrica de alumínio já se acham em operação. O objetivo é um completo complexo do minério para o metal. A usina siderúrgica tem uma capacidade de lingotes de 750.000 toneladas, além de 600.000 toneladas de produtos acabados por ano. A fábrica de alumínio produz 10.000 toneladas de lingotes de alumínio 99,5 por cento puros por ano, e planejava-se dobrar esta produção em 1969.

Impulsionada Expansão Industrial

A diretriz governamental, que incentiva a produção doméstica do que era anteriormente importado, deu grande ímpeto ao desenvolvimento da indústria. A produção manufatureira aumentou em média 10 por cento ao ano. Os bens de consumo são agora quase que totalmente de fabricação nacional, ao passo que há dez anos atrás quase a metade eram importados. As fábricas de montagem de carros, e fábricas para a produção de pneus, móveis, papel, produtos metálicos e materiais de construção, já estão produzindo. Roupas e sapatos são produzidos em suficiente volume para prover modesta exportação destes itens.
No campo petroquímico, a Venezuela tem ambições. Foram anunciados planos de expansão em larga escala, planos que incluem a construção de um porto do mar com maior capacidade do que qualquer outro porto do país. Relacionadas com esta indústria química haverá fábricas que abrangerão instalações satélites, tais como a fabricação de plásticos e fertilizantes.
Naturalmente, mais cedo ou mais tarde, haverá problemas, quando o mercado doméstico limitado ficar saturado. Então se tornará imperativo aumentar grandemente a produção e cortar os custos, de modo a se poder competir eficazmente no mercado mundial.

A Agricultura Mantém o Passo

É bem significativo que a única nação que superou a Venezuela no crescimento agrícola em 1966 tenha sido Israel — nação notável por sua tecnologia nos métodos agrícolas. Não é surpreendente, então, que a Venezuela produza praticamente tudo que precisa quanto a alimentos, em realidade, 92 por cento.
A política de reforma agrária do governo tem tido muito que ver com este progresso. Há dez anos atrás, menos de 2 por cento dos proprietários de terra possuíam 74 por cento das terras. Desde então, 150.000 famílias se estabeleceram em terras de propriedade pública ou em terra não utilizada que foi comprada pelo governo dos proprietários particulares. Os lavradores recebem escrituras de proprietários dos terrenos, de modo que possam deixá-los como herança para seus filhos, obter crédito e ajuda técnica das agências governamentais. Não mais os lavradores plantam safras para beneficiar senhores de terra ausentes. Suas safras são deles próprios, para fazer com elas o que quiserem. É significativo que a produção agrícola durante um período de sete anos aumentou 650 por cento.
Esta expansão agrícola transforma a inteira economia. Um país que, antes de 1958, tinha de usar sua renda petrolífera para importar arroz do Equador, açúcar de Cuba, ovos da Polônia, batatas do Canadá, e assim por diante, tornou-se um país que não só alimenta seus próprios habitantes, mas também gera renda pela exportação de muitos destes mesmos produtos, além dos tradicionais, o café e o cacau. Comparada com a produção de há dez anos, a produção de milho duplicou, há duas vezes mais açúcar, doze vezes mais arroz, oito vezes mais batatas.
A resultante abundância de reservas alimentícias tende a manter baixos os preços.

Dores de Crescimento

A Venezuela, por certo, tem seus problemas. Principalmente são produzidos por uma explosão demográfica bem real. Cerca de 300.000 pessoas são adicionadas cada ano à população. Trata-se de quase o dobro do índice de crescimento demográfico dos Estados Unidos.
A educação é um problema vital, que está sendo atacado com bravura, tanto assim que três vezes mais dinheiro está sendo gasto com isso atualmente do que se gastava há dez anos atrás. O analfabetismo foi reduzido a 17 por cento, segundo uma estatística das Nações Unidas.
A moradia é outro problema premente. No entanto, mais moradias foram construídas nos últimos quatro anos do que em todo o restante da história oficial de construções da Venezuela.
Os depósitos e a distribuição de água fizeram grandes avanços, também, resultando em que agora 98 por cento da população em cidades de 5.000 ou mais habitantes dispõem de água potável. Nas cidades, mais de três milhões de pessoas dispõem da conveniência de redes de esgotos em comparação com menos de um milhão em 1958.
A restrição à imigração e o incentivo aos investidores estrangeiros são duas diretrizes que são mantidas, tendo-se em vista manter uma economia próspera e crescente. Incidentalmente, em qualquer negócio, é preciso empregar três venezuelanos para cada estrangeiro, a menos que seja uma questão duma empresa altamente especializada e o mercado nacional de trabalho esteja sofrendo escassez do pessoal técnico disponível.

Baixo Imposto de Renda, Dinheiro Estável

O imposto de renda é pago ao governo federal quando a pessoa ganha mais de 12.000 bolívares (NCr$ 10.700,00). Não há impostos estaduais nem municipais. A carga fiscal total, 12,5 por cento do produto bruto nacional, é decididamente inferior à de quase 30 por cento nos Estados Unidos, 35 por cento na Alemanha, 39 por cento em França e 41 por cento na Suécia. É óbvio, então, que há um clima fiscal amigável na Venezuela, clima este que incentiva o investimento. Este, por sua vez, ajuda a expandir a economia.
A Venezuela ocupa ímpar posição. Mantém as mais elevadas reservas monetárias da América Latina, algo que ajuda o bolívar a manter sua posição favorecida. A estabilidade e a livre conversibilidade do bolívar têm resultado em seu uso em outros países em transações creditícias, em especial desde que a moeda da Venezuela foi reconhecida em 1966 como moeda “forte” pelo Fundo Monetário Internacional.
Segundo certo estudo econômico efetuado pelo “First National City Bank” de Nova Iorque, “parte do êxito da Venezuela pode ser atribuída ao alto nível das exportações de petróleo, mas seu registro invejável de crescimento econômico, a relativa estabilidade dos preços, os saldos da balança de pagamentos e a forte posição das reservas internacionais têm de ser atribuídos a sólida política fiscal que habilitou o país a derivar grande benefício deste importante recurso natural”.
Conforme certo economista venezuelano se expressou: “Neste país, a estreiteza e o atraso econômicos se contrastam com a abundância. Isso quer dizer, existem duas Venezuela profundamente diferentes: a Venezuela que não deixou o passado, junto com suas velhas casas, suas velhas tradições, seus primitivos sistemas econômicos, e a Venezuela do petróleo, de edifícios modernos, de carros custosos, de instalações custosas para diversões; a Venezuela dos patriarcas e peões de terra e a Venezuela dos homens de negócios, dos construtores, dos industriais, dos peritos em tecnologia e uma crescente classe média; a Venezuela das alpargatas, dos machetes, dos chapéus de aba larga, das palhoças e da casave (pão feito da raiz da iúca) e a Venezuela dos hotéis luxuosos e dos famosos costureiros.”
Sim, tais contrastes e muitos mais podem ser vistos na Venezuela hodierna. Mas, será que a estabilidade política e sólidas diretrizes fiscais continuarão a manter uma economia saudável e crescente? É isso que muitos venezuelanos devem perguntar a si mesmos, ao observarem um país após outro que já trilhou a vereda que agora trilham e que se tornou vítima de idéias divisórias, de política debilitante e duma série inteira de males acompanhantes. No ínterim, a economia do país corre rapidamente adiante.


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