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Seqüestro: negócio global


AO LONGO da última década, houve no mundo todo um aumento notável no número de seqüestros. Um relatório diz que, entre 1968 e 1982, quase mil pessoas foram seqüestradas em 73 países. Mas em fins dos anos 90, calculava-se que de 20.000 a 30.000 pessoas eram seqüestradas a cada ano.
Parece que o seqüestro está na moda entre criminosos desde a Rússia até as Filipinas — e os seqüestradores estão dispostos a raptar qualquer coisa que se mexa. Certa vez, foi seqüestrado um bebê com apenas um dia de vida. Na Guatemala, uma senhora de 84 anos numa cadeira de rodas foi seqüestrada e mantida em cativeiro por dois meses. No Rio de Janeiro, há bandidos que pegam as pessoas em plena rua e às vezes pedem apenas 100 dólares de resgate.
Parece que nem os animais estão a salvo. Há alguns anos, criminosos ousados, na Tailândia, seqüestraram um elefante de carga, de seis toneladas, e exigiram 1.500 dólares de resgate. Dizem que gangues no México incentivam os membros jovens a adquirir experiência raptando animais de estimação ou domésticos antes de seqüestrar uma pessoa.
No passado, o alvo dos seqüestradores eram principalmente os ricos, mas os tempos mudaram. Uma notícia da agência Reuters diz: “Na Guatemala, os seqüestros tornaram-se ocorrência diária e as pessoas têm saudades dos bons e velhos tempos em que os rebeldes radicais se concentravam num punhado de ricos homens de negócios. Hoje, ricos e pobres, jovens e velhos, são alvos dos bandos de seqüestradores.”
Casos notáveis geralmente recebem grande atenção da mídia, mas a grande maioria dos seqüestros são resolvidos sem publicidade. De fato, por vários motivos, os países “não têm muito interesse em divulgar o problema do seqüestro”. O próximo artigo analisará alguns desses motivos.

Seqüestro: a exploração do terror

“O SEQÜESTRO é diferente de um crime contra a propriedade. É um ataque perverso, cruel e insensível contra o grupo humano fundamental: a família”, diz Mark Bles, no livro The Kidnap Business (O Negócio do Seqüestro). O seqüestro causa perturbação emocional aos membros da família. Minuto após minuto, hora após hora, eles vão da esperança ao desespero, enquanto lutam com sentimentos de culpa, ódio e impotência. O pesadelo talvez continue por dias, semanas, meses, ou, às vezes, até anos.

Na sua ânsia incessante de dinheiro, os seqüestradores se aproveitam dos sentimentos da família. Uma quadrilha de seqüestradores obrigou sua vítima a escrever o seguinte numa carta aberta à imprensa: “Peço que a imprensa publique essa carta em toda parte para que, se eu não voltar, a culpa seja dos seqüestradores, mas também da minha família que mostra que prefere o dinheiro a mim.” Para receber o dinheiro do resgate, alguns seqüestradores italianos fizeram pressão cortando partes do corpo das vítimas e enviando-as a parentes ou a emissoras de TV. Um seqüestrador mexicano até torturou as vítimas enquanto negociava com a família pelo telefone.
Alguns seqüestradores, por outro lado, procuram agradar a vítima. Por exemplo, nas Filipinas um executivo foi seqüestrado e mantido num hotel de luxo em Manila. Os bandidos lhe davam bebidas alcoólicas e o entretinham com prostitutas até o pagamento do resgate. Mas na maioria das vezes, as vítimas são trancadas sem as mínimas condições de cuidar de suas necessidades físicas e higiênicas. Muitas são brutalmente maltratadas. De qualquer modo, as vítimas sempre sofrem o horror de não saber o que vai lhes acontecer.

Como lidar com o trauma

Mesmo após a libertação, as vítimas talvez ainda tenham cicatrizes emocionais que perduram. “O mais importante é você falar com amigos e parentes e buscar ajuda profissional, se necessário”, diz uma enfermeira sueca que foi seqüestrada na Somália.
Terapeutas desenvolveram um método para ajudar essas vítimas. Com a ajuda de profissionais, as vítimas analisam o que passaram, em várias sessões curtas, antes de se encontrarem com a família e voltarem à vida normal. “Quando a terapia é aplicada logo após o incidente, os riscos de dano permanente são menores”, diz Rigmor Gillberg, especialista da Cruz Vermelha em terapia de crises.

Outras conseqüências

Os afetados pelos seqüestros não são apenas as vítimas e suas famílias. O medo do seqüestro pode interromper o turismo e diminuir os investimentos; cria também um senso de insegurança na sociedade. Em 1997, em apenas alguns meses, seis companhias internacionais se mudaram das Filipinas por causa da ameaça de seqüestro. Uma filipina que trabalha para um grupo chamado Cidadãos Contra o Crime desabafou: “Vivemos um pesadelo.”
Um artigo no jornal The Arizona Republic diz: “Entre os executivos mexicanos, o medo de seqüestro beira a histeria, e com toda a razão.” A revista brasileira Veja noticia que hoje as crianças brasileiras têm pesadelos envolvendo seqüestradores e ladrões, em vez de monstros. Em Taiwan, ensina-se prevenção de seqüestro na escola e, nos Estados Unidos, instalaram-se câmeras de segurança em pré-escolas para evitar seqüestros.

Consultoria de segurança: atividade em alta

O aumento no número de seqüestros e as questões delicadas envolvidas fizeram crescer a procura pelos serviços de firmas de segurança privada. No Rio de Janeiro, há mais de 500 firmas dessas, que têm rendimentos de 1,8 bilhão de dólares.
Cada vez mais firmas de segurança internacionais ensinam prevenção de seqüestro, publicam relatórios sobre regiões de risco e negociam resgates. Elas aconselham as famílias e as empresas, ensinando-lhes as estratégias usadas pelos seqüestradores e ajudando-as a lidar psicologicamente com a situação. Algumas firmas até tentam pegar os seqüestradores e recuperar o dinheiro do resgate depois da libertação do refém. Mas seus serviços não saem de graça.
Apesar desses esforços, o seqüestro está em ascensão em muitos países. Comentando a situação na América Latina, Richard Johnson, vice-presidente da companhia de seguros Seitlin & Company, diz: “Prevê-se um aumento no número de seqüestros.”

Razões para a onda de seqüestros

Os especialistas mencionam muitas razões para esse aumento recente. Uma delas é a situação econômica desesperadora em algumas regiões. Um membro de uma equipe de socorros na cidade de Nal’chik, Rússia, disse: “A melhor maneira de conseguir dinheiro é esse método famoso: o seqüestro.” Dizem que, em algumas ex-repúblicas soviéticas, usam-se seqüestros para financiar exércitos particulares de chefões locais.
Mais do que nunca as pessoas viajam a trabalho ou a passeio, abrindo assim novas possibilidades para seqüestradores em busca de vítimas. O número de estrangeiros seqüestrados dobrou em cinco anos. Entre 1991 e 1997, houve seqüestros de turistas em 26 países.
De onde vêm tantos seqüestradores? Alguns conflitos militares estão esmorecendo, deixando ex-soldados desempregados e de bolsos vazios. Eles têm todas as habilidades necessárias para ingressar nesse negócio lucrativo.
De modo similar, o uso de medidas mais eficientes contra os roubos de banco e a repressão ao tráfico de drogas fazem com que os criminosos recorram ao seqüestro como fonte substituta de renda. Mike Ackerman, um especialista em seqüestros, explica: “À medida que, em todas as sociedades, fica mais difícil cometer crimes contra a propriedade, aumenta o número de crimes contra a pessoa.” A publicidade dada ao pagamento de resgates altos também pode atrair seqüestradores em potencial.

O motivo nem sempre é dinheiro

Muitos seqüestradores só querem dinheiro e nada mais. Os pedidos de resgate variam de apenas um punhado de dólares até o recorde de 60 milhões de dólares pagos, em Hong Kong, por um magnata do ramo imobiliário que nunca foi libertado, apesar do pagamento.
Por outro lado, alguns seqüestradores usaram suas vítimas para conseguir publicidade, alimentos, remédios, rádios e carros, além de novas escolas, estradas e hospitais. Um executivo seqüestrado na Ásia foi libertado depois que os seqüestradores receberam uniformes e bolas de basquete. Certos grupos também usam seqüestros para assustar e intimidar investidores e turistas estrangeiros, visando deter a exploração da terra e dos recursos naturais.
Assim, existem muitos motivos, muitos métodos, muitas vítimas e muitos seqüestradores em potencial. Será que existem muitas soluções também? Quais são algumas delas? Podem realmente resolver o problema? Antes de responder a essas perguntas, vamos analisar algumas causas básicas mais profundas para o grande aumento no número de seqüestros.

Se você for seqüestrado . . .

  Os estudiosos do assunto dão as seguintes sugestões em caso de seqüestro:
• Coopere; não seja teimoso. É mais provável que reféns hostis fiquem sujeitos a tratamento cruel; e eles correm mais risco de serem mortos ou escolhidos para sofrer punições.
• Não entre em pânico. Tenha em mente que a maioria das vítimas sobrevive ao seqüestro.
• Elabore um método para controlar o tempo.
• Procure estabelecer uma rotina diária.
• Faça exercícios, mesmo que tenha poucas oportunidades de se movimentar.
• Seja observador; tente memorizar detalhes, sons e cheiros. Aprenda detalhes sobre os seqüestradores.
• Converse sobre assuntos leves, se possível, e tente se comunicar. Se os seqüestradores o encararem como pessoa, será menos provável que o machuquem ou matem.
• Deixe-os saber de suas necessidades de modo educado.
• Nunca tente negociar o próprio resgate.
• Se você se vir no meio de uma tentativa de resgate, jogue-se no chão e espere para ver o que acontece.

Seguro contra seqüestro: um assunto polêmico

  Uma indústria em expansão devido ao aumento dos seqüestros é a de seguros. Durante os anos 90, a companhia Lloyd’s, de Londres, teve um aumento de 50% ao ano na venda de seguros contra seqüestro. Cada vez mais companhias oferecem esse seguro. Ele cobre o serviço de um negociador de seqüestro, o pagamento do resgate e às vezes esforço profissional para recuperar o resgate. Mas a questão do seguro é muito polêmica.
  Os que se opõem afirmam que isso é aproveitar-se do crime e que é imoral lucrar com os seqüestros. Dizem também que o segurado pode se tornar negligente quanto à própria segurança e que o seguro torna mais fácil para os seqüestradores extorquir dinheiro, incentivando assim essa atividade criminosa. Alguns até temem que o seguro incentive as pessoas a forjar o próprio seqüestro para receber o dinheiro. Os seguros contra seqüestro são proibidos na Alemanha, Colômbia e Itália.
  Os apoiadores dizem que, como outros seguros, o seguro contra seqüestro faz com que muitos paguem pelas perdas de poucos. Raciocinam que ele dá uma certa segurança, pois permite que as famílias e companhias seguradas sejam ajudadas por profissionais qualificados, que podem diminuir a tensão, negociar resgates menores e facilitar a captura dos seqüestradores.

A Síndrome de Estocolmo

  Em 1974, o seqüestro de Patty Hearst, filha do bilionário da indústria jornalística Randolph A. Hearst, tomou um rumo inesperado quando ela juntou-se aos seqüestradores e começou a participar em roubos armados com a quadrilha. Em outro caso, um jogador espanhol de futebol perdoou seus seqüestradores e lhes desejou felicidades.
  No início dos anos 70, esse fenômeno foi chamado de Síndrome de Estocolmo devido a uma crise com reféns, ocorrida em 1973, num banco de Estocolmo, Suécia. Na ocasião, alguns reféns desenvolveram uma amizade especial com os seqüestradores. Essa interação serve de proteção para os reféns, como explica o livro Criminal Behavior (Comportamento Criminoso): “Quanto mais as vítimas e os seqüestradores se conhecerem, maiores serão as probabilidades de virem a gostar uns dos outros. Com isso, após algum tempo, é menos provável que o seqüestrador machuque o refém.”
  Uma refém inglesa na Chechênia, que foi estuprada, disse: “Acho que, quando o guarda passou a nos conhecer como pessoas, percebeu que era errado me estuprar. Ele parou com o estupro e se desculpou.”

Seqüestro: as causas básicas

O SEQÜESTRO — além do assassinato, do estupro, do roubo, do abuso de crianças e até do genocídio — virou uma praga moderna. Por que a vida se tornou tão perigosa a ponto de as pessoas muitas vezes terem medo de sair de casa à noite?
As causas fundamentais dessa epidemia de atividades criminosas, incluindo os seqüestros, estão ligadas a falhas muito arraigadas na sociedade humana. Sabia que, há quase 2.000 anos, a Bíblia predisse estes tempos perigosos? Analise a profecia de 2 Timóteo 3:2-5:
“Os homens serão amantes de si mesmos, amantes do dinheiro, pretensiosos, soberbos, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, desleais, sem afeição natural, não dispostos a acordos, caluniadores, sem autodomínio, ferozes, sem amor à bondade, traidores, teimosos, enfunados de orgulho, mais amantes de prazeres do que amantes de Deus, tendo uma forma de devoção piedosa, mostrando-se, porém, falsos para com o seu poder.”
Você com certeza concorda que essas palavras registradas há muito tempo descrevem perfeitamente a situação atual. Na nossa época, as feridas purulentas da sociedade humana se romperam com toda a força. O interessante é que, antes de descrever a lamentável conduta humana que lemos acima, a Bíblia diz: “Nos últimos dias haverá tempos críticos, difíceis de manejar.” (2 Timóteo 3:1) Vamos analisar apenas três das grandes falhas da sociedade que contribuíram para a epidemia de seqüestros.

Dificuldades de fazer cumprir a lei

“Por não se ter executado prontamente a sentença contra um trabalho mau é que o coração dos filhos dos homens ficou neles plenamente determinado a fazer o mal.” — Eclesiastes 8:11.
Muitas polícias não têm recursos para lidar com a onda de crimes. Assim, em vários países o seqüestro é um crime que compensa. Em 1996, apenas 2% dos seqüestradores na Colômbia foram processados. No México, pelo menos 200 milhões de dólares em resgates foram pagos em 1997. Alguns seqüestradores nas Filipinas até aceitaram cheques como pagamento de resgate.
Além disso, a corrupção dentro das agências de combate ao crime torna-as menos eficientes. No México, na Colômbia e em ex-repúblicas soviéticas, os próprios chefes dos esquadrões de elite anti-seqüestro foram acusados de ter participado em seqüestros. O presidente do senado filipino, Blas Ople, disse na revista Asiaweek que as cifras oficiais indicam que 52% dos seqüestros nas Filipinas envolvem policiais ou militares na ativa ou aposentados. Dizem que um famoso seqüestrador mexicano foi amparado por “um muro de proteção oficial conseguido por meio de subornos a policiais e a promotores públicos municipais, estaduais e federais”.

Pobreza e injustiça social

“Eu mesmo retornei, a fim de ver todos os atos de opressão que se praticam debaixo do sol, e eis as lágrimas dos oprimidos, mas eles não tinham consolador; e do lado dos seus opressores havia poder.” — Eclesiastes 4:1.
Muitas pessoas hoje vivem sob condições econômicas e sociais desesperadoras. Freqüentemente são elas que praticam seqüestros. Assim, enquanto o abismo entre pobres e ricos aumentar constantemente e enquanto houver poucas possibilidades de se ganhar dinheiro honestamente, o seqüestro continuará a ser uma tentação. Enquanto houver opressão, o seqüestro será um meio de contra-atacar e de chamar a atenção para condições consideradas intoleráveis.

Ganância e falta de amor

“O amor ao dinheiro é raiz de toda sorte de coisas prejudiciais.” (1 Timóteo 6:10) “Por causa do aumento do que é contra a lei, o amor da maioria se esfriará.” — Mateus 24:12.
Por toda a História, o amor ao dinheiro tem levado as pessoas a atos hediondos. E talvez nenhum outro crime explore tanto a angústia, o pesar e o desespero humanos quanto o seqüestro. A ganância — o amor ao dinheiro — é que leva muitos a praticar crueldades contra um estranho, a torturá-lo e a fazer sua família passar por grande sofrimento durante semanas, meses e às vezes anos.
É claro que há algo terrivelmente errado com uma sociedade que enaltece o dinheiro e que desconsidera os valores humanos. Sem dúvida, isso estimula todo tipo de atividade criminosa, incluindo o seqüestro.
Isso significa que estamos no que a Bíblia chama de “últimos dias”? Em caso afirmativo, o que isso significará para a Terra e para nós? Existe solução para os problemas terríveis que a humanidade enfrenta, incluindo o seqüestro?

Não é nada novo

  A Lei mosaica estabelecia a pena capital para os seqüestradores ou raptores já no século 15 AEC. (Deuteronômio 24:7) Tanto Júlio César, no primeiro século AEC, como Ricardo I, Coração de Leão, rei da Inglaterra, no século 12 EC, foram seqüestrados em busca de resgate. O maior resgate já pago foram as 24 toneladas de ouro e prata que os incas deram ao conquistador espanhol Francisco Pizarro para libertar seu chefe, Ataualpa, em 1533. Mesmo assim, os conquistadores o estrangularam.

Seqüestro: existe solução?

“OS SEQÜESTROS atingiram um ponto intolerável no país e toda a sociedade precisa combater esse mal”, exclamou o primeiro-ministro da Chechênia ao prometer erradicar a onda de seqüestros que atingia aquela república russa.
Erradicar o seqüestro? O objetivo é elogiável, mas a questão é: Como?

As medidas tomadas

As autoridades colombianas designaram 2.000 agentes secretos, 24 promotores públicos e até um coordenador especial anti-seqüestro só para combater o problema. No Rio de Janeiro, uma marcha pública que protestava contra os muitos seqüestros na cidade reuniu cerca de 100.000 pessoas. No Brasil e na Colômbia, grupos paramilitares contra-atacaram seqüestrando parentes dos seqüestradores. E alguns filipinos decidiram fazer justiça com as próprias mãos: lincharam seqüestradores.
As autoridades guatemaltecas instituíram a pena de morte para seqüestradores e o presidente mobilizou o exército a fim de parar a onda de seqüestros. Na Itália, o governo adotou medidas severas para evitar os seqüestros, tornando ilegal o pagamento de resgate e congelando o dinheiro e as propriedades dos parentes para impedi-los de pagar. Autoridades italianas orgulham-se de ter conseguido reduzir o número de seqüestros com essas medidas. Os críticos sugerem, porém, que o resultado é que as famílias tentam resolver os casos em segredo e isso reduz o número oficial de seqüestros. Consultores de segurança privada estimam que o número de seqüestros na Itália tenha na verdade dobrado desde os anos 80.

Muitas sugestões, poucas soluções

Para muitas famílias de vítimas de seqüestro, só uma solução parece viável: livrar a pessoa amada o mais rápido possível. Mas os especialistas avisam que, se um resgate alto é pago muito rápido, os seqüestradores talvez considerem a família um alvo fácil e podem voltar de novo. Ou talvez peçam um segundo resgate antes de soltar a vítima.
Algumas famílias pagaram resgates elevados e depois descobriram que a vítima já estava morta. Assim, os especialistas dizem que nunca se deve pagar um resgate nem iniciar negociações antes de se ter provas de que a vítima está viva. A prova pode ser a resposta a uma pergunta que apenas a vítima saberia responder. Algumas famílias pedem uma foto da vítima segurando um jornal recente.
E as operações de resgate? Em geral elas são muito arriscadas. “Na América Latina, 79% dos reféns são mortos durante tentativas de resgate”, diz Brian Jenkins, especialista em seqüestro. Às vezes, porém, as tentativas de resgate são bem-sucedidas.
Não é de admirar que muitas soluções se concentrem na prevenção do seqüestro. Não são apenas as autoridades governamentais que tentam evitar seqüestros. Jornais ensinam às pessoas como evitá-los, como se jogar de um carro em movimento e como dominar os seqüestradores psicologicamente. Academias de artes marciais dão cursos de defesa anti-seqüestro. Há companhias que vendem, por 15.000 dólares, ultramicrotransmissores que podem ser implantados nos dentes das crianças para ajudar a polícia a encontrá-las se forem seqüestradas. Para quem tem dinheiro suficiente, os fabricantes de carro produzem veículos “à prova de seqüestro”, com saídas para gás lacrimogênio, aberturas para armas, vidros à prova de bala, pneus resistentes a cortes e aberturas para espirrar óleo.
Algumas pessoas ricas acham que a solução é contratar guarda-costas. Contudo, analisando a situação no México, o especialista em segurança Francisco Gomez Lerma disse: “Guarda-costas não ajudam muito porque atraem a atenção e podem estar mancomunados com os seqüestradores.”
O problema do seqüestro é tão complexo e suas raízes são tão profundas que nada que a humanidade faça parece adequado para eliminá-lo. Será, então, que não existe solução?

A solução existe

Esta revista já indicou muitas vezes a única solução real para todos os problemas que a humanidade enfrenta. Essa solução foi indicada pelo Filho de Deus, Jesus Cristo, quando ensinou seus seguidores a orar: “Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra.” — Mateus 6:10.
É óbvio que precisamos de um governo mundial justo para tratar dos problemas dos diversos povos da Terra. Precisamos do Reino de Deus mencionado por Jesus. Visto que os humanos foram incapazes de estabelecer um governo como esse, seria prudente recorrer ao Criador, Jeová Deus. Sua Palavra, a Bíblia, diz que seu propósito é fazer exatamente isso. — Salmo 83:18.
O profeta Daniel registrou o propósito de Jeová, escrevendo: “Nos dias daqueles reis o Deus do céu estabelecerá um reino que jamais será arruinado. . . . Esmiuçará e porá termo a todos estes reinos, e ele mesmo ficará estabelecido por tempos indefinidos.” (Daniel 2:44) A Bíblia descreve como esse governo de Deus dará passos progressivos para erradicar toda atividade criminosa, incluindo os seqüestros.

A educação correta é essencial

Sem dúvida concordará que, para resolver o problema do seqüestro, é essencial incutir nas pessoas um conjunto sólido de valores. Pense, por exemplo, em qual seria o resultado para a sociedade humana se todos seguissem os seguintes conselhos bíblicos: “Vossa maneira de viver esteja livre do amor ao dinheiro, ao passo que estais contentes com as coisas atuais.” (Hebreus 13:5) “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto que vos ameis uns aos outros.” — Romanos 13:8.
Pode-se ter uma idéia de como seria a vida se as pessoas seguissem esses conselhos analisando o programa educacional patrocinado pelas Testemunhas de Jeová em mais de 230 países ao redor do globo. Esse programa já teve um ótimo efeito sobre muitos que antes eram gananciosos ou criminosos perigosos. Um ex-seqüestrador disse: “Com o tempo, me dei conta de que, para agradar a Deus, precisava pôr de lado a minha velha personalidade e me revestir da nova — uma personalidade caracterizada pela mansidão e semelhante à de Cristo Jesus.”
Mas nem mesmo um ótimo programa educacional mudará todos os criminosos, talvez nem a maioria deles. O que acontecerá aos que se recusarem a mudar?

Eliminados os criminosos

Os transgressores deliberados não poderão ser súditos do Reino de Deus. A Bíblia diz: “Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não sejais desencaminhados. Nem fornicadores, . . . nem gananciosos, . . . nem extorsores herdarão o reino de Deus.” (1 Coríntios 6:9, 10) “Os retos são os que residirão na terra . . . Quanto aos iníquos, serão decepados da própria terra.” — Provérbios 2:21, 22.
Segundo a Lei de Deus do passado, o seqüestrador impenitente devia ser morto. (Deuteronômio 24:7) Os gananciosos, como os seqüestradores, não terão lugar no Reino de Deus. Atualmente, os criminosos talvez escapem da justiça humana, mas não conseguirão escapar da justiça divina. Se quiserem viver sob o domínio do Reino justo de Jeová, terão de mudar de vida.
É óbvio que, se as condições que geram a criminalidade continuarem a existir, o crime também continuará. Mas o Reino de Deus não permitirá isso, pois a Bíblia promete: “O próprio reino . . . esmiuçará e porá termo a todos estes reinos” e a todos os criminosos. Essa profecia bíblica continua dizendo que o Reino de Deus ficará estabelecido por tempos indefinidos. (Daniel 2:44) Imagine só as mudanças que ocorrerão!

Um novo mundo de justiça

Analise outra profecia bíblica, que descreve belamente o futuro: “Hão de construir casas e as ocuparão; e hão de plantar vinhedos e comer os seus frutos. Não construirão e outro terá morada; não plantarão e outro comerá. Porque os dias do meu povo serão como os dias da árvore; e meus escolhidos usufruirão plenamente o trabalho das suas próprias mãos.” — Isaías 65:21, 22.
O Reino de Deus transformará o planeta inteiro. Todos poderão desfrutar a vida plenamente e desenvolver suas habilidades naturais participando em trabalho gratificante e em recreação sadia. As condições mundiais serão tão boas que ninguém sequer pensará em seqüestrar seu semelhante. Todos se sentirão seguros no pleno sentido da palavra. (Miquéias 4:4) Assim, sob o Reino de Deus, o seqüestro deixará de ser uma ameaça global, como é hoje, para se tornar um mero capítulo da História do qual ninguém vai querer se lembrar. — Isaías 65:17.

Publicado em Despertai! de 22 de Dezembro de 1999

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